O Ministério do Turismo destacou como exemplo de responsabilidade social e promoção da igualdade racial a oficina de letramento racial realizada durante O Maior São João do Mundo, em Campina Grande. A iniciativa, promovida pela Arte Produções, foi tema de matéria publicada pelo órgão federal, que ressaltou o caráter pioneiro da ação voltada à prevenção e ao combate ao racismo contra turistas e visitantes.
A capacitação reuniu profissionais de diversas áreas do evento, entre eles equipes de produção, marketing, segurança, controle de acessos e promotores. Durante a oficina foram discutidos temas como diversidade, racismo estrutural, direitos humanos e formas de enfrentamento a situações de preconceito e discriminação.
Ministro destaca importância da iniciativa
Na publicação, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, destacou a importância da iniciativa para a construção de ambientes mais acolhedores. “O São João de Campina Grande tem essa característica social, e o combate ao racismo é fundamental, assim como a outras formas de preconceito e discriminação. No Maior São João do Mundo, queremos a felicidade das pessoas”, afirmou.
Estratégia de qualificação e pautas antirracistas
Para o gerente de Marketing da Arte Produções, Pedro Aryell, a ação faz parte de uma estratégia mais ampla de qualificação da experiência oferecida ao público.
“Para nós, como evento, é muito importante observar o público. Queremos sempre trazer melhorias e ampliar a qualidade da experiência vivida. Um dos pontos que este ano integram nossa estratégia geral são as pautas antirracistas e ambientais. O São João é uma manifestação cultural universal, acolhedora e plural. Não há espaço para racismo, preconceitos ou importunações”, destacou.
Segundo Pedro Aryell, o compromisso com a diversidade vem sendo construído internamente há mais de um ano. “Ainda em 2024 começamos a trabalhar a pauta racial dentro da empresa. Neste ano realizamos uma oficina de letramento antirracista para equipes de produção, marketing, controle de acessos, segurança e outros setores estratégicos do evento”, explicou.
O gestor também destaca que a diversidade está presente na composição das equipes responsáveis pela realização da festa. Entre os profissionais de marketing envolvidos diretamente no São João, 18 são pessoas pretas ou pardas e 17 são brancas. Já nas funções de liderança, a presença feminina é predominante.
“No grupo Arte Produções, a maior parte das lideranças do São João é exercida por mulheres. Todo o conteúdo que o público acompanha nas redes sociais passa por elas. Nossa equipe de social media é composta integralmente por mulheres, com equilíbrio racial em sua formação”, ressaltou.
Além da formação das equipes, a organização do evento ampliou as ações de conscientização junto ao público. Mensagens de combate ao racismo e de incentivo ao respeito à diversidade integram os conteúdos exibidos nos painéis de LED e no vídeo de segurança apresentado diariamente no Parque do Povo.
O reconhecimento do Ministério do Turismo reforça o compromisso de O Maior São João do Mundo com a construção de um ambiente seguro, inclusivo e acolhedor para todos os públicos, fortalecendo valores de cidadania, respeito e igualdade que fazem parte da essência da festa.
Confira abaixo a publicação do Ministério do Turismo na íntegra:
AFROTURISMO
Em ação inédita, São João de Campina Grande (PB) ensina a prevenir e a combater racismo contra turistas
Boletim sobre afroturismo produzido pelo Ministério do Turismo foi uma das inspirações para a iniciativa
uma ação inédita, trabalhadores do São João de Campina Grande (PB) receberam treinamento para prevenir e combater o racismo e para promover a igualdade racial. A iniciativa teve como uma das inspirações um boletim do Ministério do Turismo dedicado ao afroturismo. Nele, são destacados a história do afroturismo, a relação com os patrimônios culturais brasileiros, o perfil da demanda, a oferta nas regiões brasileiras e o programa Rotas Negras.
Seguranças, controladores de acesso, promotores, entre outros trabalhadores, participaram de uma oficina de letramento racial, na qual foram abordados temas como a diversidade da festa, o racismo estrutural e formas de enfrentar situações de preconceito e discriminação. Cartazes de alerta sobre o crime de racismo foram espalhados pelo Parque do Povo (local da festa) para conscientizar tanto os trabalhadores quanto o público.
Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, a medida é um exemplo de responsabilidade social e ajuda a promover um ambiente cada vez mais inclusivo, respeitoso e acolhedor. “O São João de Campina Grande tem essa característica social, e o combate ao racismo é fundamental, assim como a outras formas de preconceito e discriminação. No maior São João do Mundo, queremos a felicidade das pessoas”, afirmou.
Afroturismo em crescimento e formação de equipes
Afroturismo em crescimento
De acordo com o 13º Boletim de Inteligência do Ministério do Turismo, 41% dos negócios dedicados ao afroturismo no Brasil foram criados nos últimos três anos. O segmento é impulsionado principalmente por mulheres: 66,4% dos empreendimentos são liderados por mulheres negras. E há alto nível de qualificação, com mais de 40% dos empreendedores tendo ensino superior e 36% sendo pós-graduados.
A demanda também acompanha o crescimento. O boletim aponta que 82% das pessoas negras preferem consumir serviços turísticos geridos por empreendedores negros, enquanto 91% participariam de experiências ligadas à cultura afro-brasileira. O interesse global também avança: buscas por experiências afrocentradas cresceram 30% entre 2024 e 2025.
“O boletim traz informações qualificadas para orientação do mercado, da iniciativa privada e dos gestores públicos. Ficamos felizes em saber que a organização do São João de Campina se inspirou no material. Estamos reforçando o afroturismo como instrumento de inclusão produtiva, geração de renda e promoção da igualdade racial. É um vetor estratégico para o desenvolvimento do turismo”, afirmou o ministro Gustavo Feliciano.
Formação para acolher e prevenir
A oficina de letramento racial foi feita pela jornalista, professora e pesquisadora de relações étnico-raciais Carla Borba. Durante o encontro, promovido pela Arte Produções, empresa que organiza o São João de Campina Grande, os participantes tiveram acesso a reflexões sobre diferentes formas de preconceito e discriminação, além da análise de estudos de caso que contribuíram para a compreensão de situações vivenciadas no cotidiano e para a construção de ambientes mais seguros e acolhedores.
Além de informar e preparar as equipes para lidar com possíveis ocorrências relacionadas ao racismo e outras formas de violação de direitos, a atividade proporcionou um espaço de diálogo, escuta e troca de experiências, estimulando a reflexão coletiva sobre atitudes que podem contribuir para uma convivência mais respeitosa dentro e fora da festa.
Para Carla Borba, iniciativas como a realizada em Campina Grande ganham força quando são apoiadas por dados e diagnósticos sobre a realidade do setor. “A iniciativa reforça o compromisso da organização com a promoção da igualdade, o respeito à diversidade e a valorização dos direitos humanos. Esse estudo do Ministério do Turismo é muito importante porque dimensiona esse segmento”, declarou a pesquisadora.
Portal São João de Campina
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